O veto do projeto que visa antecipar o início dos jogos noturnos de meio de semana vem causando grande impacto na mídia esportiva paulista e também em todos aqueles que gostam de ir aos estádios. O projeto foi recusado pelo prefeito Gilberto Kassab há dez dias.
Primeiro temos que levar em consideração que um dos fatores que limitam a freqüência de torcedores no estádio é a infra-estrutura que estes possuem, sobretudo quando se trata de meios de transporte para a volta para casa. O número de veículos cobrindo o itinerário é reduzido quando o árbitro dá o apito final e isso influencia significativamente na chegada do torcedor em seus aposentos. Exceto o Palestra Itália, todos os outros estádios têm uma linha de metrô a pelo menos dois quilômetros de distância do evento esportivo.
Há uma campanha de uma grande rádio de São Paulo, a Jovem Pan, para que o horário seja alterado. Mas a redução do início das partidas vai de encontro com a grade de programas da Rede Globo, que é a principal investidora do futebol brasileiro e que, indiretamente, é responsável por boa parte das receitas do nosso futebol. Não creio que seja justo que a própria emissora seja obrigada a mexer nos seus horários.
Cabe lembrar que temos diversos eventos sendo realizados até depois das 22:00 horas, como teatros, cinemas e shows que, nem por isso sofrem represália para serem realizados mais cedo para o conforto de seus espectadores.
Sem contar que diversos jogos que tem início às 19:00 horas sofrem com a chegada de seus torcedores, uma vez que estamos no horário de pico e o trânsito não é (nem um pouco) amigo nessas horas. Muitos destes torcedores pagam o preço completo do ingresso e assistem apenas a metade da partida. Não vejo o horário como o grande impeditivo para a presença de espectadores nas arquibancadas.
Outro fator que limita a presença de torcedores nos estádios neste horário é a televisão, uma vez que todo torcedor que possui o sistema Pay-Per-View não vai abrir mão do conforto de seu sofá em detrimento dos assentos incômodos e das péssimas condições de higiene dos banheiros das arenas. Este é um dos fatores que motivam os clubes a procurar novas receitas que possam suprir a perda vinda das arquibancadas.
E não é por nada, mas, politicamente falando, acho que deve ter projetos mais importantes a serem aprovados...


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